A Origem da vida

 

A Origem da vida

 

O éon Arqueano (do grego archaîos, "antigo") está compreendido entre 4 e 2,5 bilhões de anos atrás. Sucede o éon Hadeano e precede o Proterozoico. É subdividido em quatro eras: Eoarqueana (4 a 3,6 bilhões de anos atrás ou Ga), Paleoarqueana (3,6 a 3,2 Ga), Mesoarqueana (3,2 a 2,8 Ga) e Neoarqueana (2,8 a 2,5 Ga). 

Neste éon, a crosta terrestre havia esfriado o suficiente para formar os primeiros continentes, mas o fluxo interno de calor no planeta ainda era três vezes maior que o atual e as atividades tectônicas eram intensas. À exceção de alguns grãos minerais conhecidos do Hadeano, as formações rochosas expostas mais antigas do planeta são arqueanas.

            A maior parte das rochas superficiais havia se solidificado, e grande parte do vapor de água na atmosfera acabou por condensar-se, formando um oceano global, quente e raso. O interior da Terra, entretanto, ainda estava bastante quente e ativo. Erupções vulcânicas eram muito comuns e formavam um grande número de pequenas ilhas, alinhadas em cadeias. Essas ilhas eram empurradas de sua posição original como resultado dos movimentos que ocorriam no manto e ocasionalmente colidiam entre si, formando ilhas cada vez maiores.

Os vulcões emitiam grande quantidade de vapor de água e dióxido de carbono (CO), que acumulavam-se na atmosfera. As águas oceânicas eram mais ácidas, devido à presença maior de gás carbônico dissolvido. Embora o brilho do Sol fosse 25% mais fraco do que hoje, a temperatura média do planeta aparenta ter sido próxima da atual, por causa da maior concentração de gases de efeito estufa na atmosfera. Esta ainda era extremamente pobre em oxigênio, situação que só mudou no final do éon.

Os processos que deram origem à vida na Terra ainda não são completamente compreendidos, mas há evidência substancial de que ela surgiu bastante cedo no Arqueano. Os fósseis mais antigos datam de 3,5 bilhões de anos atrás e consistem em microfósseis de bactérias. Durante o Arqueano, as formas de vida foram limitadas a simples organismos unicelulares não nucleados (cujo material genético fica "solto" dentro da célula), chamados procariontes. Estes incluem bactérias (domínio Bacteria) e arqueas (domínio Archaea).

Algumas arqueas se adaptaram a condições extremas, como fontes hidrotermais com altas temperaturas ou ambientes ricos em ácido sulfídrico (HS) - são as extremófilas. Os procariontes espalharam-se pelo planeta, formando "tapetes" de bactérias colaboradoras que realizavam diferentes processos bioquímicos. Alguns desenvolveram estruturas moleculares que permitiam realizar fotossíntese. Esse processo utiliza energia luminosa para transformar água e dióxido de carbono em alimento para a célula, mas também libera como subprodutos água e gás oxigênio (O).

Cianobactérias (bactérias fotossintetizantes) e outros micro-organismos formaram colônias abundantes, que com o tempo acumulavam camadas de carbonatos e sedimentos e formavam rochas, chamadas estromatólitos. Os mais antigos estromatólitos já registrados apresentam uma idade de 3,5 bilhões de anos.

Gradativamente, as cianobactérias assimilavam o dióxido de carbono da atmosfera, depositando-o no fundo do oceano na forma de calcário, e liberavam oxigênio livre. Elas tiveram uma grande importância ecológica, uma vez que provavelmente foram as responsáveis por encher a atmosfera de oxigênio, permitindo que mais tarde novas formas de vida se desenvolvessem.


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